Interestelar (Interstellar) – Crítica

Inter

Com muita expectativa entrei na sala do cinema e mal podia esperar para que os trailers terminassem. Ora, estava prestes a ver o que muitos estavam chamando de “O novo 2001: Uma Odisseia no Espaço”! Como assisti o filme com uma semana de atraso, não pude deixar de ler sobre a opinião de Quentin Tarantino, que o comparou ao brilhante Andrei Tarkovsky (um dos meus cineastas favoritos de todos os tempos). E claro, isso aumentou ainda mais o anseio por vê-lo. Porém evitei ler qualquer tipo de opinião sobre o filme. Queria ir disposto a sentir o universo que Nolan havia criado.

O filme conta a história do Coop (Matthew McConaughey), ex-piloto e pai de duas crianças, que é chamado pela NASA para fazer parte de uma missão no espaço à procura de novos planetas habitáveis já que a terra está sendo devastada por uma “peste” que vem deixando o solo infértil e assim acabando com a comida na terra. Porém, ele precisa fazer uma escolha, ir para o espaço para tentar salvar a humanidade ou ficar com seus filhos naqueles que prometem ser os anos mais difíceis de se manter vivos.

Vamos por partes.

Tecnicamente, o filme é quase que impecável. A trilha sonora composta por Hans Zimmer, já conhecido por outros filmes de Nolan, se une aos “megaloquentes” acontecimentos espaciais e se encaixa perfeitamente as cenas. Fazendo da trilha um espetáculo a parte. Os efeitos especiais são muito bonitos e possivelmente ganhará indicação ao Oscar 2015. A fotografia é incrível, pegando tudo de melhor que o diretor usou em ‘A Origem’ e a trilogia do Cavaleiro das Trevas. Ver o filme numa sala IMAX é altamente recomendado e realmente faz diferença já que o filme foi feito justamente para aquelas dimensões.

A interpretação dos atores é muito boa. Não podia-se esperar menos de um elenco tão bom.  A química entre eles funciona bem e um dos que era dos principais problemas de Nolan, a falta de “humanismo” e emoção dos personagens, dessa vez é superado. Há emoção e há muita. O filme é basicamente composto disso desde os seus minutos iniciais. McConaughey está muito bem mais uma vez e se mostra um ator cada vez mais sólido em seus trabalhos. A relação de Coop e sua filha Murphy, desde a fase de infância a fase adulta, é talvez o ponto forte do filme. A história nos faz questionar o comportamento humano com suas fraquezas e egoísmos. Faz pensar até que ponto precisamos de pessoas e família ao nosso lado.

Mas há problemas.

As explicações de Batman parecem ser sutis se comparado a Interestelar. Por mais que Nolan tenha se esforçado no roteiro, utilizando de teorias do físico Kip Thorne sobre o espaço, buraco de minhoca e outras galáxias. Ele mesmo acaba estragando a experiência que criou. Os diálogos e questionamentos sobre as teorias são muito bons e simples durante os diálogos entre os personagens. Não havia necessidade de explicar a explicação. Acredito que a intenção do diretor foi deixar o filme fechado, sem espaço para questionamentos. Porém isso acabou não funcionando tão bem. Seu terceiro ato é praticamente para explicar tudo o que havia acontecido. Os últimos 30 minutos são basicamente feitos pra isso.

É um bom filme? Sim! Recomendo que todos assistam.  Na minha opinião, Interestelar esteve tão perto do ponto certo e acabou falhando por ele mesmo.  O que acaba gerando uma leve decepção. Tenho a sensação que tanto o filme quanto Nolan poderão ganhar reconhecimento com o passar dos anos. Não duvido que meus filhos chamem Interestelar de clássico. Vamos aguardar.

João Bosco

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