Os Oito Odiados (The Hateful Eight) – Crítica

8

Violência extrema, diálogos geniais, fotografia incrível e uma trilha sonora arrepiante. Dirigido por Quentin Tarantino, em seu oitavo filme, Os 8 Odiados (The Hateful Eight) é único.

Logo de início somos apresentados ao ambiente gelado e ameaçador em que a história se passa. Nesse faroeste na neve que mais parece feito nos anos 60, conhecemos um caçador de recompensas, John Ruth (Kurt Russel), que está levando uma procurada pela justiça, Daisy Dormegue (Jennifer Jason Leigh), para uma cidade e assim, troca-la por dinheiro. No caminho, vários novos personagens vão surgindo, um deles é o Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson) e a partir daí, só Tarantino para conseguir fazer um roteiro tão genial.

Tudo isso regido por uma trilha sonora arrepiante e assustadora de Ennio Morricone, que dita o tom do filme e amplia ainda mais todo o suspense e desconfiança que paira no ar sob as atitudes dos personagens.

Com um ritmo lento, que pode até incomodar alguns, o primeiro e segundo ato do filme são construídos basicamente por diálogos e discursos dos personagens. Diálogos esses que são mais como um ponto de vista sobre a história, criando um senso de mistério e dúvida presentes em quase toda a obra. E isso é muito bom! Você nunca sabe se os personagens estão falando a verdade ou não, quem está certo ou errado, quem é culpado e quem não é. Cada personagem com suas falas vão guiando o expectador através de pequenas descobertas e sensações de dúvidas inquietantes. Assim quem assiste acaba se envolvendo cada vez mais com a trama e não percebendo as horas passarem (sim, o filme é bem longo, mas nada que incomode). Isso só prova o grande diretor que o Tarantino é.

O que torna tudo mais incrível é o roteiro e suas falas eloquentes pois os atores começam a brilhar. Kurt Russel está muito bem no filme. Muito caricato e com muito carisma, o ator se destaca em cada cena. Mas não pense que é só ele que se destaca, ao contrário, todos os atores estão excelentes. Há espaço para todos durante todo o longa, mas quem brilha mesmo é Samuel L. Jackson e principalmente Jennifer Jason Leigh. (na minha humilde opinião, duas atuações merecedoras de indicação ao Oscar). Samuel L. Jackson é responsável por um dos discursos mais impagáveis do ano, que mistura muito humor com um sarcasmo quase que pós-traumático depois de ter sofrido tanto preconceito e passado por tantas guerras. E Jennifer, rouba o filme para si sempre com cenas em que demonstra uma certa leveza inquietante e um olhar imprevisível. A cada minuto passado, ela se torna mais importante e fundamental para a trama. Mas reiterando, todos os atores estão excelentes aqui.

O filme é dividido em capítulos e acaba se perdendo um pouco em um deles que se torna explicativo demais. Perdendo todo aquele ar de mistério tão bem construído.

No fim, é mais um filme com o selo de qualidade deste diretor que nos acostumou com histórias incríveis e cenas sanguinolentas quase que descontroladas. Deixando um ar meio que melancólico e já de saudades, pois o próprio Tarantino declarou recentemente que só faria dez filmes em sua carreira. Fica a esperança para que ele desista dessa ideia e nos dê mais filmes como esse de presente.

Os 8 Odiados é doce e brutal na medida que deve ser. Uma carta de amor ao cinema escrita por um de seus grandes mestres.

NOTA: NOVE (9/10)

João Bosco

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